Mulher negra
A política federal ainda trata raça como detalhe. Para ela, é o centro: orçamento, terra, saúde e voz.
Deputada Federal · PT 1301
Sou uma, mas não sou só.
Creusamar de Pinho, Creuzamar na urna. Assistente social, mulher negra, quilombola, mulher com deficiência e mãe de três filhos. Natural de Codó, criada na periferia de São Luís. A primeira vereadora quilombola da Câmara Municipal — e uma candidatura coletiva rumo a Brasília.
Esta biografia não é um currículo. É o caminho de quem aprendeu política no território, fez lei com os movimentos e agora disputa o Congresso para aquilombar a política federal.
Origem
Creuzamar nasceu em Codó, no interior do Maranhão, e cresceu na periferia de São Luís. O nome de urna encurta Creusamar de Pinho, mas não encurta o chão de onde ela vem: casa de mulher negra, território quilombola, cidade partida entre quem tem endereço reconhecido e quem constrói a vida à margem do mapa oficial.
Assistente social de formação, ela leu a desigualdade não só nos livros — leu no aluguel atrasado, na ocupação, no posto que fecha, na escola que apaga a história negra, no racismo que atravessa o atendimento, o emprego e a política. Por isso a biografia dela nunca foi um caso isolado. É a biografia de meninas negras que sustentam a casa, o terreiro, o bairro e ainda precisam pedir licença para existir no parlamento.
Mulher com deficiência e mãe de três filhos, Creuzamar recusa o discurso da superação individual. Acessibilidade, creche, renda e cuidado não são mérito de quem “consegue”: são direito. Quem chega hoje à tribuna carrega essas ausências — e a teimosia de transformá-las em lei.
Minha história de vida se confunde com a história de muitas meninas negras, de muita luta, privações e exclusão social. Quem toma posse hoje são todos os movimentos sociais.
Creuzamar de Pinho, posse na Câmara de São Luís
Identidade
A política federal ainda trata raça como detalhe. Para ela, é o centro: orçamento, terra, saúde e voz.
Primeira vereadora quilombola de São Luís. O quilombo não é folclore: é território, memória e direito.
Formação que lê a vida concreta — casa, renda, cuidado — e transforma escuta em política pública.
Acessibilidade real em transporte, saúde, educação e participação. Rampa de inauguração não basta.
A economia do cuidado não é tema de campanha: é o chão da casa e da cidade que ela disputa.
Militância sindical e popular. A política como instrumento de quem vive na ponta — não como carreira.
Movimentos
Militante do Partido dos Trabalhadores desde 1990, Creuzamar construiu a vida pública no chão dos movimentos: moradia popular, mulheres negras, quilombos, terreiros, direitos humanos e pessoas com deficiência. Não chegou à política por convite de gabinete. Chegou porque o território precisava de quem falasse a língua da ocupação, da cooperativa e da rede de mulheres.
Foi peça central na criação do Grupo de Mulheres Negras Maria Firmina e da Cooperativa Habitacional Zumbi dos Palmares. Fundou a Rede de Mulheres Negras do Maranhão (REMNEGRA) e levou essa articulação para conselhos municipais, estaduais e nacionais — das Cidades, da Mulher, dos Direitos Humanos e da Igualdade Étnico-Racial.
Como Secretária Adjunta de Estado de Direitos Humanos e Cidadania Popular do Maranhão, traduziu pauta de rua em política de governo. O método não mudou depois: escuta, organização, proposição coletiva. Mandato, para ela, é extensão do movimento — nunca o contrário.
Mulheres negras
Organização pioneira no Maranhão: renda, cuidado, violência e o direito de mulheres negras ocuparem a política com voz própria.
Moradia
Produção social da moradia: a comunidade no centro da decisão, mutirão como método e a casa como porta de todos os direitos.
Articulação
Rede de Mulheres Negras do Maranhão: do território aos conselhos. Uma candidatura só faz sentido se essa rede for com ela.
O que já fez lei
Na Câmara de São Luís, Creuzamar tornou-se a primeira mulher quilombola e a primeira mulher negra do PT a ocupar a Casa. O mandato foi coletivo: escutas, plenárias nas comunidades, movimentos dentro do parlamento. Não era metáfora. Era método de trabalho.
Ali ela fez o que a militância pedia há décadas: reconhecer que a comunidade sabe construir a própria casa. A Política Municipal de Produção Social de Moradia por Autogestão democratiza o direito à moradia e coloca movimentos e famílias — em especial mulheres negras chefes de lar — no centro da decisão.
O Estatuto Municipal da Igualdade Racial consagra a luta do movimento negro, dos quilombos e dos povos de terreiro numa capital em que mais de 70% da população é negra. Não é vitrine: é instrumento para orçamento, participação e combate ao racismo institucional.
O que se pede agora é escala. Transformar essa prática em política nacional — com recurso, terra e reparação. Brasília precisa sentir o peso de quem constrói este país com as próprias mãos.
Produção social da moradia com controle popular. Recurso público, gestão comunitária e protagonismo das mulheres.
Racismo institucional no centro da política da capital. Quilombos, terreiros e população negra com instrumento legal.
Percurso
Três décadas entre sindicato, cooperativa, conselho, secretaria e Câmara. O próximo passo é federal.
Militância sindical e popular. A política como instrumento de quem vive na ponta — e não abre mão de partido de massa.
Grupo Maria Firmina, Cooperativa Zumbi dos Palmares e a fundação da REMNEGRA — rede que segue articulando o Maranhão negro.
Secretaria Adjunta de Direitos Humanos e Cidadania Popular. Conselhos da Cidade, da Mulher, da Igualdade Étnico-Racial.
Mandato coletivo. Lei da moradia por autogestão e Estatuto Municipal da Igualdade Racial. A tribuna como extensão da rua.
Candidatura pelo Maranhão na Federação Brasil da Esperança (PT / PCdoB / PV). Aquilombar Brasília com a voz das periferias.
Campanha 2026
Em 2026, Creuzamar é candidata a deputada federal pelo Maranhão, número 1301, pela Federação Brasil da Esperança (PT / PCdoB / PV). Aquilombar o Congresso não é metáfora de palanque. É ocupar o lugar onde as decisões ainda chegam tarde — ou não chegam — para quem vive de aluguel, de ocupação, de terreiro, de bairro sem título.
A mala que vai a Brasília leva moradia digna por autogestão, titulação dos quilombos, igualdade racial com recurso público, direitos da mulher negra, trabalho justo, educação antirracista, liberdade religiosa e acessibilidade real. Oito bandeiras construídas com os movimentos. Para o Maranhão e para o Brasil.
Creuzamar 1301 não pede voto só no nome. Pede companhia. Porque uma vai, mas não vai só.
Essa voz precisa chegar a Brasília
Doe pela vaquinha oficial, espalhe o 1301, entre no mutirão. Uma candidatura só faz sentido se for coletiva.